Poesias


Aquele que ama

O amante é aquele que ama
Que pode, que pede,
E que deve ser o dono da cama
Quando geme a madrugada
O amante ama
Quando a censura e a moral se afastam
O amante ama
Quando o álcool inviabiliza o contato físico
O amante ama
O amante treme, o amante chama,
O amante é chama,
Até que a chama se apague
O amante é aquele que ganha
Que lanha, que arranha,
Que açanha, que é uma aranha
Que possui uma sede tamanha
Quando brigam os amancebos,
O amante ganha
Quando a miséria toma conta de tudo,
O amante ganha
Quando a aliança escravisa demais,
O amante ganha
O amante bate, o amante apanha
O amante me apanha,

Até que a aranha goza
Vai agora visitar o teu amante
Vai se vestir de bacante
Vai fazer um filme
Vai pirar no roteiro
Vai tranmutar tua própria trama
Morto é aquele que pára
Vivo é aquele que ama




Duto do verbo

O absurdo duto do verbo
canaleta por onde escoam águas,
fezes, frustações e palavras
a um forte golpe de sol
seca o fluxo, racha o cimento
ai cai a tempestade do texto
tudo vira nada
quando tange
o entendimento

Não quero ser drink!

A prova de fogo é conseguir ser água
uma vez água vou me fechar o inverno todo e virar gelo,
e uma vez gelo, vou carregar essa cruz pesada,
derreter o teu álcool grosso , tua intemperança descarada,
como foi exótico o passeio à ilha,
fui wisque em caixa prego,
blod Mary na penha,
conhaque em Berlinque,
aí você diz que não quer ser minha
e eu digo : não quero ser drinque.

Poema, Seja o meu lençol

O álito roça o dente, o dente roça o pêlo,
O pêlo roça a pele, a pele roça o corpo,
O corpo roça a alma e a alma roça o mundo
E esse negócio de alma na alma é profundo
É o "tete no tete"...
Debaixo da Lua, da noite, do Sol, da manhã, da bomba
Nuclear
Eu só quero um amor e um lençol...
O mundo pode acabar!
(...)




O jogo perde do amor

Já causa dano o estágio seco,
nos estágios seguintes é umidade ou sorte
começa o jogo do amor!
Brincando de bulir mistura bolas
e por que não, ai, sou uma bola!
Rumo às caçapas,
rumo aos danos bons e a ruindade primitiva das bolas,
ora bolas, ora cubos, na hora h as coisas viram pedras
e doem a vida ao pisar
É no sinuca cigano que o suor se perde
que a gente não perde
ninguém ganha sem dor
De volta às caçapas,
e a bola rola por cima das farpas,
o jogo perde do amor




Minotaura

Toda suja
Melada de uma arrogância besta
Aos 12 usou sutiã
Aos 15 criou poodles
Aos 18 ficou alcoolatra
Aos 20 matou a mãe

Deus à acompanhe antes que o diabo a encha de álcool
Seu corpo é constituido por material inflamável
Não é bonita
Não se relaciona
Não é amável
Foge do destino como uma bruxa na fogueira

Geladeira vazia de comida
Comida vazia de calor
Calor vazio de calor
Fugir do calor é o seu segredo

Antes do homem veio o mundo
Antes do mundo veio o fogo
Antes do fogo veio o medo
Queima!



Amor de montar

Translúcidas camadas tórridas , sobrepostas , textuais,
untadas com a manteiga das horas,
flambadas em fogo altíssimo,
é o calor dos tempos!
Amor de montar:
Máquina de gasolina e tempo,
quando vê ascendeu , já somos ,
e encurta a estrada escura
Amor de montar:
Delícia dos instantes pífios,
quando prova já é , já está e é a melhor das comidas terrenas
Amor de montar:
Desmontador dos tempos,
quando vê já foi , já fez
eu só peço uma coisa meu Deus
um amor de cada vez!



Relato de insatisfação

Pedi coxinha , tive empada,
pedi joelho , tive quibe,
pedi suco , tive água,
pedi doce , tive salgado e ainda comi um dobrado
Na dobradinha um arroz,
no japonês um feijão,
a feijoada é sem grão,
a salada é sem graça,
pedi cerveja , tive cachaça,
pedi queijo , tive ricota,
pedi inteiro e você corta
aí realmente eu não como mais nada!
A guacamole tá muito dura,
a torta tá muito certa,
a conta sumiu na treva,
eu chamo e você nem olha,
eu pago e você nem leva